Nossa Senhora do Sobreiro

Foi o principal enlevo mariano dos religiosos de Varatojo e dos povos seus vizinhos, desde os inauguradores do convento até aos expulsos de 1833.

Encontraram essa imagem, como diremos a seguir, logo após a entrada da primeira comunidade - 1474 - na cavidade dum sobreiro, e seguidamente lhe ergueram a capelinha que ainda se venera no local da mata. Dizem alguns escritores que estivera ali escondida cerca de trezentos anos e que a tradição antiga afirmava ser trazida pelos soldados ingleses, vindos no século doze em auxílio do nosso primeiro rei D. Afonso Henriques, para o assalto de Lisboa aos mouros, e que naquele sobreiro a esconderam, e depois dos combates militares não puderam voltar a procurá-la. É de pedra ou de massa muito escura e não de madeira, como nos faz crer a sua delicada e antiquíssima pintura, quando a observamos do pavimento da capela, onde agora se venera. Está sentada num simples mocho, formando uma só peça de setenta centímetros. No braço esquerdo sustenta o Menino, o qual ergue a mão direita com jeito de dar a bênção; e a Senhora com o dedo indicador da mão direita aponta para ele, a chamar a atenção dos fiéis para aquela bênção divina, que nos é dada por pedido de sua Mãe.

Os dedos da mão esquerda do Menino estão partidos, nem é possível saber-se da sua primitiva atitude. Este e outros pequenos estragos, aliás de fácil reparação, provieram das muitas procissões com que era honrada pelos seus devotos das gerações passadas. Nos anos de prolongadas secas, o povo da vila de Torres Vedras e do seu termo a ia buscar e conduzir em procissão de penitência para o templo agostiniano de Nossa Senhora da Graça, onde ficava em veneração até conseguirem o despacho das suas petições. Os religiosos do convento a acompanhavam na procissão da ida e do regresso de Torres.

Fazia-lhe o convento luzida festividade religiosa no dia da Natividade da Senhora, com novena de pregação e missa solene com sermão. Para isso a iam buscar em procissão os religiosos à capelinha da mata.

Como essa ermidinha ficava muito à desamão dos devotos, e mais ainda das devotas da Senhora, que não podiam entrar na clausura, um dos seus mais insignes devotos e também insigne benfeitor dos Religiosos, o Padre João Luiz de Carvalho, beneficiado da Colegiada de Nossa Senhora da Salvação da vila de Arruda dos Vinhos, levantou a linda e artística capela que actualmente admiramos, aberta para o alpendre da portaria do convento. Tem sobre a verga da ampla entrada a data de 1777, mas a trasladação da imagem para ela efectuou-se, diz o Padre Frei Manuel de Maria Santíssima, no seu livro O Devoto Instruído, em treze de Junho de 1779. A capela é um sacrário de arte mariana. O mesmo devoto da Senhora custeou o lançamento do actual escadório, que dá descida para o átrio da capela e para o da igreja conventual.

Era festejada a Senhora do Sobreiro pelos religiosos, com o povo do lugar até 1910. A expulsão dos religiosos, neste ano, e as modernas devoções marianas populares arrumaram ao esquecimento o culto da veneranda e multissecular imagem da Senhora do Sobreiro.

Texto (Franciscanos - Convento de Varatojo)

 

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